segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Dulce Pontes _ Ondeia (Agua) _ 1999


Silêncio...
O vento finalmente amainou...
A sapiência louca
de uma alma que nunca sonhou...
A paixão oca
de uma boca que nunca beijou...
Onda!
Tormenta!
Tempestade!
O silêncio que aumenta
uma adeus secreto de uma saudade...
O choro mudo que tão só lamenta
um grito que ecoa
nos confins de um ser atormentado...
Um coração que pára em agonia
num pranto louco de quem foi mal amado!
O sol que queima a pele
outrora escaldada pela lua!
Um corpo meio despido que em convulsões se estende no meio da rua...
A agua escarlate
num rio que em tempos secou
E o barco que nele parte
para longe de quem sempre amou...
A dor fica para trás
nos braços de quem ficou,
no sangue de que desesperou,
nas mãos de quem desistiu de viver
na alma de quem tão cruelmente sonhou um dia renascer!!!

1 comentário:

dreaMan disse...

A dor que nasce em cada um de nós é tão intensa quando nao se consegue atingir os objectivos, simplesmente porque nunca sonhamos, assim como uma paixão que acaba de nascer e morre, tambem simplesmente porque nunca ousou experimentar o toque que emana da fonte de vida. Uma desilusão, um vexo silencioso que aumenta no coração de um ser que desperadamente tenta que o rio da sua alma flua em direcçao a um oceano sem agua, mas não é possivel, porque existe um tormento abissal, uma tempestade de areias que nasce no deserto de uma alma seca. QUE DOR! Uma dor tão profunda que leva a rever toda a nossa existência.